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DESENVOLVIMENTO GRÁFICO

O fracasso do candidato X o fracasso do recrutador

Sou natural de uma grande metrópole e trabalho no seguimento de embalagens flexíveis há quase sete anos. Meus empregos sempre foram afastados do centro porque os parques industriais já não se comportam em meio ao trânsito, ao horizonte verticalizado e ao caos da cidade grande. E foi numa dessas cidadezinhas, afastada 400km no interior do estado, que encontrei a resposta para uma pergunta tão questionada: Por que tanta gente boa no mercado fracassa nas dinâmicas e entrevistas?

Tenho um amigo que está passando por essa fase de dinâmicas em grandes empresas nacionais e multinacionais. Ele é designer gráfico, trabalha com comunicação visual, publicidade, marcas, é acostumado a sair do mundo real e criar. Trabalha num completo silêncio e concentração, mesmo que ao seu redor as coisas estejam agitadas no volume máximo. Óbvio que é um cara inteligente, esclarecido, de bom vocabulário, estudado, eloqüente, mas não utiliza essas habilidades e ferramentas no seu dia a dia. Certa vez, ele ficou confuso em uma dinâmica com as muitas perguntas e testes aplicados que realmente não estavam de acordo com a vaga que ele estava pleiteando.

Cidade pequena é assim: todos se encontram nas ruas, lojas, filas, churrasco na casa de amigos que chamam outros amigos e quando vê, viram seus amigos! Numa situação dessas, estávamos num almoço e fomos apresentados ao dono de uma agência de publicidade e sua família. Trocamos experiências e o cara fazia muitas perguntas, pedia algumas dicas de softwares gráficos e não ficou sem nenhuma resposta sequer desse meu amigo designer. Ficou encantado, lógico! Seus olhos brilhavam diante de tal profissional, quando ao final da conversa ele perguntou ao meu amigo: “Quer vir trabalhar comigo?” Para a sua surpresa ou desespero, o designer respondeu: “Acho que não dá mais, pois fui eliminado num processo seletivo que fiz na sua agência há um mês atrás.”

Um silêncio total pairou no ambiente. Podíamos “ver” a temperatura do rosto do empresário subindo de tamanha vergonha diante de todos nós.

“Como assim? Você com esse conhecimento todo, experiência, portfólio, foi eliminado no processo seletivo, sendo que há meses tentamos e não conseguimos preencher essa vaga?”

O designer, com jeito e meio sem graça, explicou que o recrutador pediu que ele dissesse muitas coisas, se colocasse em muitas situações que ele não vivenciava, como por exemplo, falar de si mesmo como se estivesse à venda e precisasse salientar seus defeitos e suas qualidades como um bom produto a se adquirir. E finalizou: “Cara! Eu não estava pleiteando uma vaga no setor de vendas da sua agência, onde eu deveria conquistar o seu cliente. Era muito mais fácil me aplicar um teste, eu sentaria na frente de um computador e deixaria a minha imaginação fluir, mais nada. Não fui bem na dinâmica, não falei muito de mim, não soube me expressar, nem me vender e, então, fui eliminado. Bom acho que fui, porque também não me retornaram pra dizer se passei ou se não.”

O empresário olha para a sua esposa, que cuida das finanças da agência e diz: “Eu não preciso de alguém que fale, eu preciso de alguém que crie!” Balançou a cabeça de forma negativa, pensou mais um pouco e compartilhou seu pensamento em voz alta com a esposa: “... e a gente paga uma fortuna pra essa empresa de RH filha da ... (disse um palavrão) fazer esse tipo de seleção sem vergonha. Por isso que a vaga está aberta há meses.”

Depois o empresário e o meu amigo ficaram amigos e também parceiros de trabalho. O empresário elogiava o designer para todos os colegas como um grande profissional, organizado, criativo, inteligente e acima de tudo concentrado e que teria um futuro brilhante pela frente.

A parceria acabou, pois o designer alçou vôos mais altos. Mudou-se para a cidade grande. Passou por diversas fases de dinâmicas, testes, entrevistas e aguarda os resultados de algumas multinacionais, enquanto segue estudando e fazendo seus freelancers.

Nessa situação, me pergunto: O fracasso dos recrutadores em realmente entender o perfil de cada candidato, estudar com antecedência quais características e habilidades será necessário ele ter para exercer a função pelo qual ele está se candidatando, a falta de zelo em cumprir de forma correta a sua profissão que nada mais é do que descobrir talentos, não está fazendo com que grandes empresas, grandes organizações percam profissionais bons que estão disponíveis no mercado de trabalho?

Ora! Com um simples bate papo informal, o empresário “enxergou” que o talento do designer não era de fato as vendas e muita conversa, mas sim, concentração para criar, o que exigia dele um perfil mais quieto e de poucas palavras. Mas como ele entendia da função que o designer exerceria em seu cargo, fez as perguntas técnicas certas, de forma precisa, criou situações/problemas de projetos para que o rapaz soubesse lhe dar a melhor solução. E foi o que aconteceu. Ele se saiu bem em todas as questões, o que levou o empresário a não ter dúvidas sobre o seu talento na área.

Muitos testes que são aplicados pelas empresas de recrutamento estão obsoletos e são muito genéricos. São os mesmos aplicados para profissionais de áreas diferentes, sendo que, se escolheram áreas diferentes, provavelmente possuem perfis. ta,bém, diferentes. E com as informações cada vez mais velozes na internet, alguns testes são facilmente encontrados, até mesmo em posts de redes sociais no nosso dia-a-dia, o que coloca em xeque a autenticidade e o verdadeiro estudo para se “caçar” bons profissionais no mercado.

Ao meu ver, uma empresa de seleção deve no mínimo, eu disse no mínimo, entender o que o candidato vai fazer quando assumir o cargo, observar o departamento em que ele vai trabalhar, como são os demais profissionais dessa área, quais as tarefas que ele deverá desenvolver no seu dia a dia, para então esboçar uma lista de pré requisitos a serem observados durante as dinâmicas.

Seria incoerente aplicar um mesmo teste para profissionais de áreas completamente diferentes só porque exercem o mesmo cargo, como por exemplo, um Analista de Marketing e um Analista Financeiro. Ambos são analistas, ambos possuem perfis técnicos. Mas, um lida com o público, tem que falar, expor, discutir. O outro lida com números, valores, dinheiro, tem que ser concentrado, não precisa falar muito e precisa ser minucioso. Um Analista de Marketing pode errar na escolha da cor de um projeto ou num veículo de comunicação. E um Analista Financeiro? Pode errar em uma casa decimal ou esquecer um zero que seja? Ele pode sim... levar a empresa ao fundo do poço!

Atualmente me dedico a estudar um dos campos da Psicologia. Para aprimorar isso, tenho observado muito o lado “humano” dos que estão à frente em qualquer situação ou organização. E o que tenho visto? Que infelizmente estamos rodeados de profissionais fracassados. E não são apenas profissionais que estão iniciando a sua carreira não. São Gestores, Coordenadores, Recrutadores, profissionais diversos com cargos de confiança em grandes empresas, que possuem formação superior, especializações e mais especializações e acreditam que estão num patamar inatingível, a ponto de não poderem dar uma resposta, ouvir ou se voltar a quem espera ansioso por isso.

E persiste a dúvida:

Se o Recrutador for um fracasso, posso eu obter sucesso numa dinâmica ou entrevista?

Bom, se algum profissional de RH te ligar, mandar email ou sinal de fumaça com um retorno mesmo que negativo a essa pergunta de maneira espontânea, me avisa. Caso contrário, “seu currículo ficará guardado em nosso banco de dados para ser aproveitado quando surgirem mais vagas compatíveis com o seu perfil. Aguarde nosso contato.”

Até mais! ;)

 

deboraDÉBORA HIGINO SODRÉ

É especialista em embalagem na empresa Zaraplast S/A.

 

debora.dhs@gmail.com   www.aprimeiraimpressaoo.blogspot.com.br

 

 
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